Arranha-céus de luxo crescem no Brasil e surpreendem
By Iris Andrade
O Crescimento dos Arranha-Céus no Brasil e a Busca por Altura
Nos últimos anos, a construção de edifícios de altíssima altura tem se tornado uma tendência cada vez mais presente no cenário urbano brasileiro. Cidades como São Paulo e Balneário Camboriú lideram esse movimento, impulsionado tanto por mudanças na legislação quanto por uma demanda crescente de imóveis de luxo.
Profissionais por Trás das Alturas
Dentre os principais nomes nesse setor, destaca-se a engenheira gaúcha Stéphane Domeneghini, de 37 anos, que atua na construtora catarinense FG. Com experiência na execução de alguns dos edifícios mais altos do Brasil, ela foi responsável por projetos em Balneário Camboriú, considerada hoje a capital nacional dos arranha-céus. Atualmente, Stéphane lidera as obras da Senna Tower, que, com previsão de atingir 554 metros, promete ser a maior torre residencial do mundo.
O Mercado de Verticalização em Expansão
O crescimento de construções verticais de destaque mobilizou empresas de consultoria, como a Talls Solutions, criada pelo grupo FG. Desde o início do ano, essa empresa fechou 25 contratos com empreendedores que planejam erguer edifícios com mais de 200 metros pelo país. Segundo Stéphane, a demanda ultrapassou as expectativas e ainda há 30 negociações em andamento.
De acordo com o Conselho de Edifícios Altos e Habitat Urbano (CTBUH), pelo menos 21 prédios com mais de 200 metros estão em construção ou projeto em todo o território nacional. São exemplos disso as obras em São Paulo, onde até 2026 uma torre de escritórios de 219 metros da WTorre deverá ser concluída, e os projetos residenciais da Cyrela e One Innovation, de 210 e 209 metros, respectivamente.
Normas e Demanda Econômica
Para que esses edifícios possam emergir, é fundamental que as legislações urbanísticas sejam favoráveis. Cidades como Balneário Camboriú têm adotado regras mais flexíveis, igualando-se às diretrizes de locais como Toronto e Londres. No entanto, a viabilidade econômica também depende do momento de alta demanda por imóveis e valorização dos ativos. No Brasil, os preços dos imóveis crescem acima da inflação quase continuamente, sustentando a construção de grandes prédios para atender a um mercado de alto poder aquisitivo.
Controvérsias e Benefícios
Por outro lado, a verticalização levanta debates quanto ao impacto na cidade. Algumas críticas apontam que esses prédios podem bloquear a luz solar, elevar o custo de moradia e prejudicar a convivência social em bairros tradicionais. Contudo, estudos indicam que, sob determinadas condições, a densidade alta pode promover ganhos de produtividade e ajudar na preservação de áreas rurais, ao reduzir a pressão para expansão territorial.
Quem Mora nos Arranha-Céus?
O público que busca morar em edifícios tão altos geralmente tem alto poder aquisitivo. Empresários, profissionais liberais e jogadores de futebol, como Cristiano Ronaldo, figuram entre os clientes dessas construções de luxo. Segundo o presidente da construtora FG, Jean Graciola, muitos jogadores de futebol, incluindo nomes internacionais, adquiriram imóveis nesses prédios.
Além disso, empresários do agronegócio também representam uma parcela relevante de compradores, principalmente em regiões como Balneário Camboriú e polos produtores de soja, milho e algodão. cidades como Rondonópolis, Rio Verde, Chapecó e Palmas já possuem ou planejam edifícios com mais de 200 metros de altura, impulsionados por esse mercado.
O Panorama Internacional
Globalmente, a China lidera o ranking de verticalização, com mais de 1.200 edifícios acima de 200 metros. Os Estados Unidos aparecem logo atrás, com cerca de 250 construções de mesmo porte. No Brasil, o cenário ainda está em desenvolvimento, com cinco prédios ultrapassando essa altura. O edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 metros, permanece como referência, enquanto projetos como a Jeddah Tower, na Arábia Saudita, prometem superar os 1.000 metros.
Perspectivas Futuras
Planejadores e prefeitos começam a explorar novas possibilidades para o crescimento vertical no Brasil. Muita discussão ainda será necessária, mas há quem projete torres de mais de 1 quilômetro de altura, como proposta do prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, uma iniciativa que depende de parcerias público-privadas e regulamentações específicas.
De modo geral, os espigões continuam simbolizando status, inovação e, ao mesmo tempo, gerando debates sobre o impacto urbanístico. Os próximos anos deverão mostrar se essa tendência de alturas cada vez maiores se consolidará no cenário nacional.
Fonte
VEJA