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Antiga capital de Goiás ainda surpreende

By Iris Andrade

Cidade de Goiás Velho brilha com patrimônio histórico, cultura e natureza no Centro-Oeste

A cidade conhecida como Goiás Velho, localizada no coração de Goiás e a cerca de 140 quilômetros de Goiânia, mantém vivo o espírito de sua fundação, preservando um conjunto de construções coloniais que atraem visitantes de todo o Brasil. Reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Mundial desde 2001, a área central da cidade conjuga história, cultura e natureza em um cenário único.

Patrimônio preservado e significado histórico

O centro histórico da cidade preserva grande parte da arquitetura barroca colonial original, com casarões coloridos, ruas de pedra e praças centenárias. O conjunto é considerado um dos ícones da herança goiana, permitindo aos visitantes mergulhar no século XVIII. A preservação foi fortalecida pela transferência da capital para Goiânia, em 1937, o que ajudou a evitar o crescimento desordenado da área histórica. Ao longo das décadas, o tombamento federal de igrejas, museus e casarões contribuiu para manter intactos os traços da cidade.

Atrações que contam a história local

  • Centro Histórico: Bairro cheio de casarões coloniais, praças e ruas de pedra. Na região, a Praça do Coreto reúne quiosques e oferece momentos de convivência com iguarias locais.
  • Casa de Cora Coralina: Museu dedicado à poetisa, instalado às margens do Rio Vermelho, onde objetos pessoais e manuscritos ajudam a contar a trajetória da escritora.
  • Palácio Conde dos Arcos: Edifício do século XVIII que abriga mobiliário, utensílios e artes decorativas da época, cercado por jardins que valorizam espécies do Cerrado.
  • Igreja de Santa Bárbara: Exemplo da arquitetura barroca com altar dourado, oferecendo vistas privilegiadas da Serra Dourada.
  • Chafariz de Cauda: Obra de engenharia colonial dedicada ao abastecimento de água, presente no conjunto urbano desde 1778.

Vida cultural e tradições marcantes

A cidade respira cultura com eventos que atraem público de várias regiões do país. A Procissão do Fogaréu, realizada desde 1745 na Semana Santa, reúne milhares de pessoas e é marcada pela encenação dramática com tochas e passagens pelo conjunto histórico. O Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), realizado todo mês de junho desde 1999, posiciona Goiás Velho entre os grandes palcos culturais do Brasil, reunindo filmes, shows, oficinas e debates sobre meio ambiente.

Além disso, feiras na Praça do Mercado Municipal promovem artesanato em cerâmica, doces tradicionais e produtos do Cerrado. A gastronomia local valoriza ingredientes como pequi, baru e mandioca, com pratos típicos servidos em restaurantes que vão ao encontro de uma experiência cultural autêntica. Doces cristalizados e confeitos tradicionais também compõem o cardápio da região.

Por que a preservação histórica é referência

A cidade se destaca pela forma como mantém seu patrimônio arquitetônico, reconhecido pela UNESCO. A mudança de capital para Goiânia ajudou a frear o crescimento urbano descontrolado, preservando as estruturas coloniais. O tombamento federal, iniciado na década de 1950, tem sido acompanhado por ações de restauração e educação patrimonial promovidas pela prefeitura e por instituições como a Fundação Cultural Pedro Ludovico. A região também integra a Trilha de Longo Curso Caminho de Cora Coralina, um circuito de poesia que conecta oito cidades e povoados, fortalecendo o turismo cultural e o ecoturismo local.

Vida para quem mora ou investe na região

A cidade apresenta um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de cerca de 0,700, segundo o IBGE. Com aproximadamente 22.541 habitantes, Goiás Velho oferece tranquilidade e hospitalidade, características valorizadas por famílias que buscam qualidade de vida. A economia é fortemente apoiada pelo turismo cultural, gerando empregos em pousadas, restaurantes e guias, com oportunidades adicionais em artesanato e agricultura familiar. A proximidade com Goiânia facilita o acesso a serviços especializados.

Na Educação, escolas municipais como a EM Cora Coralina oferecem ensino fundamental com projetos culturais, enquanto escolas privadas preparam alunos para vestibulares. O acesso à Universidade Federal de Goiás fica a cerca de 140 quilômetros. Na área da saúde, há o Hospital São Pedro, UBS Centro e clínicas locais, além de iniciativas de sustentabilidade promovidas pela prefeitura.

Melhor época para conhecer a cidade

  • De maio a setembro: temperaturas entre 15 °C e 28 °C, clima seco ideal para explorar o Centro Histórico e fazer trilhas na Serra Dourada.
  • A Semana Santa, quando ocorre a Procissão do Fogaréu: atrai grande público, com lotação em hotéis e pousadas que requer reserva antecipada.
  • Junho: período do FICA, com programação internacional de cinema, música e debates.
  • De outubro a dezembro: temperaturas em torno de 30 °C, com cachoeiras mais cheias e opções de passeios com menor movimento turístico.

Natureza, cachoeiras e trilhas

  • Cachoeira das Andorinhas: quedas d’água cercadas por vegetação nativa, com trilha moderada que leva a piscinas naturais.
  • Balneário Cachoeira Grande: estrutura com quiosques e áreas de descanso, ideal para um banho em dias quentes.
  • Cachoeira das Orquídeas: diversidade de orquídeas silvestres ao longo do riacho; trilha com guia local.
  • Parque da Carioca: abriga a Fonte da Carioca, com trilhas curtas que permitem contato com a fauna local.

Planeje sua visita

Goiás Velho oferece uma combinação de patrimônio mundial, cultura de alcance internacional e natureza preservada. Além de explorar o Centro Histórico e seus museus, o visitante pode desfrutar da hospitalidade local, saborear a culinária típica do Cerrado e caminhar por trilhas que revelam belas paisagens da serra da região.

Fonte: Correio Braziliense – Radar

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