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Andaimes na era digital: o que mudou

By Iris Andrade

Setor conservador no Brasil acelera adoção de modularidade, digitalização e novas tecnologias

A construção brasileira, historicamente resistente a mudanças, está sob pressão para aumentar produtividade diante da escassez de mão de obra qualificada e de custos crescentes. O responsável pela área de Operações da ABRASFE, Alexandre Pandolfo, aponta que o setor é um dos mais conservadores do país, ficando atrás apenas da agricultura em atraso digital. Dados da Fundação Getúlio Vargas mostram que 82% das construtoras relatam dificuldade em contratar técnicos, elevando o valor dos profissionais. “Com custos cada vez maiores, incorporar inovação deixou de ser opção e passou a necessidade”, resume Pandolfo.

Da madeira ao metal: a transformação dos andaimes

Os andaimes de acesso e escoramento são cruciais para sustentar lajes e vigas durante o endurecimento do concreto. Por décadas, a madeira predominou pela disponibilidade e custo inicial baixo. Hoje, porém, suas limitações — menor durabilidade, maior geração de resíduos e necessidade de carpintaria especializada — abrem espaço para opções mais eficientes.

No final dos anos 1960, aço e alumínio passaram a oferecer maior resistência, possibilidade de reaproveitamento e montagem padronizada, contribuindo para reduzir riscos e acelerar prazos. Grandes obras de infraestrutura, como a Usina de Itaipu (1974–1984) e o Gasoduto Bolívia-Brasil (a partir de 1997), reforçaram a necessidade de materiais mais robustos. A adoção de alumínio reciclável e aço galvanizado tornou-se quase obrigatória para equilibrar produtividade e sustentabilidade, caminho seguido por empresas de diferentes portes, entre elas a ORPEC – Andaimes, Formas e Escoramentos.

Modularidade e produtividade: o próximo passo

Entre os anos 2000 e 2010, a construção civil passou por um processo de industrialização que chegou aos andaimes, com padrões de montagem, torres de grande capacidade e sistemas mais pesados ganhando espaço em obras industriais e de infraestrutura. Nesse período, normas técnicas foram consolidadas, elevando a segurança e a previsibilidade dos canteiros.

A pressão por prazos curtos e a escassez de mão de obra qualificada impulsionaram a adoção de sistemas modulares, de montagem rápida e encaixes simples, que reduziram a dependência de grandes equipes e aumentaram a vida útil dos equipamentos. Julio Mouro, diretor de operações da ORPEC, resume: “quando essas estruturas ficaram mais leves e modulares, a produtividade disparou. Elas passaram a ser a espinha dorsal de qualquer cronograma”.

A ORPEC já havia participado dessa transição para estruturas mais complexas e passou a investir em soluções modulares para sustentar a produtividade de seus clientes. O lançamento do Alupec, em agosto de 2025, marca essa evolução: feito com alumínio e aço, o sistema combina leveza, durabilidade e rapidez de montagem, além de reduzir o uso de madeira.

O canteiro digitalizado

A era da digitalização chegou à construção. Embora o setor ainda seja pouco automatizado, cresce a adoção de BIM (Modelagem da Informação da Construção), drones para monitoramento, sensores de carga e aplicativos de gestão em tempo real. As estruturas temporárias — antes vistas apenas como apoio físico — passam a integrar o ambiente de dados da obra.

Nesse contexto, a ORPEC desenvolve ferramentas de monitoramento e gestão de obras com georreferenciamento, reconhecimento facial e alertas automáticos. Esses recursos ajudam a organizar equipes, prever gargalos e manter os cronogramas sob controle. “Ao conectarmos nossos equipamentos à gestão digital da obra, ampliamos o valor além do aluguel; ajudamos o cliente a visualizar riscos antes que se tornem problemas”, comenta Julio Mouro.

Um futuro próximo, já presente em partes do mundo

Enquanto o mercado brasileiro avança na modularidade e na digitalização, outras nações experimentam tecnologias que parecem saídas de ficção científica. Robôs que montam andaimes já são usados em obras europeias, reduzindo riscos e acelerando prazos. Em paralelo, impressoras 3D já constroem casas em países como Chile e Itália, revelando caminhos para a construção desde a fundação até as paredes.

Para Mouro, o impacto dessas tendências é claro: “o futuro não está distante. A cada inovação, seja de material mais leve, de aplicativo de gestão ou de robô em testes, está claro que a construção civil não vai regredir. Andaimes e escoramentos são parte dessa transformação e mostram como os bastidores da obra estão mudando.”

ORPEC: 60 anos de soluções no Brasil

A ORPEC, fundada em 1965, acompanhou diversas fases da evolução dos andaimes de acesso e escoramentos. De pioneira na adoção de estruturas metálicas a fornecedora de soluções como escoramentos leves e pesados, torres multidirecionais, andaimes fachadeiros e sistemas modulares em alumínio, a empresa atua em edificações, infraestrutura, serviços industriais e grandes eventos. Entre as obras emblemáticas estão Itaipu, o Gasoduto Bolívia-Brasil e as pontes de Florianópolis, além de arenas para Pan-Americanos e Olimpíadas.

Fonte: Diário Induscom

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