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Alta da Selic reduz empréstimos imobiliários, veja o motivo

By Iris Andrade

Impacto da Taxa Selic de 15% na Concessão de Financiamentos Imobiliários

De acordo com informações recentes da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), o cenário atual de alta nos juros tem dificultado significativamente a concessão de financiamentos para aquisição de imóveis no Brasil. O primeiro semestre de 2025 registrou uma redução de 3% no volume total de contratos em comparação ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$ 140,4 bilhões em novos financiamentos.

Dados sobre volume e alternativas de financiamento

  • O número de unidades habitacionais financiadas atingiu 496,1 mil, uma queda de 11%, diante das 559 mil do primeiro semestre de 2024.
  • Os financiamentos para construção sofreram impacto maior, despencando 54%, reflexo do aumento dos juros e da menor disposição dos bancos em investir nesse setor.
  • Por outro lado, a venda de imóveis usados mostrou maior resistência, registrando alta de 7%, indicando uma preferência por unidades já prontas e com menor risco de crédito.

Razões para a retração no mercado de crédito

Sandro Gamba, presidente da Abecip, explica que essa diminuição não se dá apenas pelo encarecimento do crédito, mas também pela maior seletividade dos bancos e pela limitação de recursos, especialmente via Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A taxa de juros elevada faz com que os bancos fiquem mais criteriosos na concessão de créditos, o que resulta em uma inadimplência historicamente baixa, mas também na redução do volume de financiamentos.

Reflexos na poupança e nas fontes de financiamento

  • O saldo da poupança vinculada ao SBPE permaneceu praticamente estável, encerrando junho com R$ 762,3 bilhões, uma redução minute de 0,03% em relação ao mesmo período de 2024.
  • Enquanto isso, a saída líquida de recursos da poupança soma R$ 38,4 bilhões até o meio do ano, influenciada pela maior atratividade de aplicações atreladas ao CDI, devido aos juros altos.
  • Em resposta à escassez de recursos tradicionais, bancos passaram a recorrer a instrumentos como as LCIs, que cresceram 25% no semestre, embora ainda não sejam suficientes para substituir totalmente os recursos da poupança.

Perspectivas para o mercado de crédito

Segundo projeções da Abecip, a retração até o final de 2025 deve alcançar 20% nas concessões via SBPE, totalizando aproximadamente R$ 150 bilhões em financiamentos. O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) deve atingir R$ 152 bilhões, impulsionado por uma injeção adicional de R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal. Como resultado, o mercado total de crédito imobiliário deverá registrar um declínio de cerca de 4% neste ano, totalizando aproximadamente R$ 302 bilhões.

Valorização imobiliária mesmo com juros altos

Apesar do aumento das taxas de juros e do custo do crédito, o mercado imobiliário mantém sua força de valorização. Segundo o Índice Geral do Mercado Imobiliário Residencial (IGMI-R), os imóveis residenciais tiveram uma valorização de 11,7% nos 12 meses até junho de 2025. Essa alta é mais que o dobro do IPCA, que ficou em 5,4% no mesmo período.

A valorização é impulsionada por fatores como a escassez de terrenos bem localizados, o aumento dos custos de construção e uma demanda crescente por habitação, mesmo em um cenário de juros elevados.

As principais cidades de destaque nesse cenário são Salvador, Curitiba e São Paulo, que registraram altas superiores a 12% na valorização anual.

Considerações finais

O aumento dos juros e a restrição de recursos de crédito indicam uma fase de ajuste no mercado imobiliário, com impacto direto na oferta de financiamento. Contudo, o setor imobiliário continua mostrando sinais de resistência, especialmente na valorização dos imóveis e na preferência por unidades prontas.

Fonte: Abecip

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