Ações que mais valorizaram e surpreenderam o mercado este ano
By Iris Andrade
Mercado aponta assimetria em 2025: 12 ações sobem acima de 100% até outubro
Ao longo de 2025, parte relevante do mercado de ações brasileiro mostrou desempenho acima da média, com 12 ativos valorizando mais de 100% até 2 de outubro. Esse desempenho contrasta com o Ibovespa, que avançou cerca de 19,68% no mesmo período, sinalizando um movimento de maior foco em ativos de maior crescimento, especialmente entre companhias de menor capitalização.
Quem lidera as altas
Entre os papéis que registraram ganhos expressivos, destacam‑se:
- Cogna Educação (COGN3) – aproximadamente 197,76%;
- Helbor (HBOR3) – cerca de 178,91%;
- Aura 360 (AURA33) – ~173,44%;
- Moura Dubeux (MDNE3) – ~168,52%;
- Ser Educacional (SEER3) – ~150,69%;
- Movida (MOVI3) – ~146,60%;
- Serena Energia (SRNA3) – ~124,55%.
Esses resultados ilustram um ano em que o “prêmio” ficou para ativos com maior potencial de crescimento, muitos deles fora do radar tradicional do Ibovespa.
Setores com maior representatividade
A leitura setorial aponta convergência para alguns segmentos-chave em 2025:
- Construção civil e incorporações imobiliárias: cinco empresas aparecem entre as campeãs, incluindo Helbor (HBOR3), Moura Dubeux (MDNE3), Tenda (TEND3), Lavvi (LAVV3) e Cury (CURY3);
- Serviços educacionais: Cogna (COGN3), Ser Educacional (SEER3) e Ânima (ANIM3) se destacam em um segmento em transformação digital, com maior penetração do ensino a distância;
- Setor de minerais/metais: a valorização de ações ligadas a metais destacou a Aura 360 (AURA33);
- Locação de veículos: Movida (MOVI3) aparece entre as grandes altas;
- Energia elétrica: Serena Energia (SRNA3) figura entre as maiores altas, refletindo resultados operacionais e margens em melhoria.
O que explica o fenômeno
Segundo análises de mercado, o movimento reforça um duplo ofício: recomposição de ativos que estavam fortemente descontados e uma adaptação estrutural a ciclos imobiliários de juros ainda elevados. A demanda por imóveis manteve-se resiliente, contribuindo para a valorização das incorporadoras, mesmo diante de crédito mais caro. Em paralelo, o avanço de serviços educacionais e setores menos tradicionais também ajudou a ampliar o conjunto de oportunidades.
Liquidez em foco
Apesar dos retornos expressivos, a liquidez de algumas campeãs preocupa quem precisa entrar ou sair de posições com rapidez. Em média, a HBOR3 negocia pouco, com cerca de 3,1 milhões de reais por dia; SEER3 e Lavvi (LAVV3) apresentam volumes diários de aproximadamente 5,6 milhões e 6,5 milhões, respectivamente. A baixa liquidez tende a ampliar volatilidade e spreads, exigindo cautela dos investidores institucionais.
O retrato do mercado para 2025
A disparidade entre o desempenho dessas ações e o Ibovespa reforça uma lição recorrente: o mercado brasileiro tende a concentrar oportunidades em segmentos específicos e em empresas em estágio de turnaround ou com ciclos de alta estruturais. A presença de 10 ações no universo Small Caps indica que a recuperação da bolsa está assimétrica, beneficiando ativos com maior sensibilidade ao ambiente econômico e ao apetite por risco.
O levantamento utilizado para a matéria aponta que os maiores retornos raramente ficam nos nomes mais populares do Ibovespa, ressaltando a importância de buscar valor em ativos fora do radar tradicional e de setores que acompanham ciclos de alta.
Perspectivas
Se o ritmo atual se mantiver, é provável que essas 12 ações encerrem o ano com ganhos históricos, servindo como estudo de caso sobre como, mesmo em um mercado de alta moderada, a seleção criteriosa de ativos pode gerar retorno expressivo.