Segurança no canteiro: o que saiu do CONEST?
By Iris Andrade
Canteiro de obras ganha foco em Brasília com debate sobre SST no CONEST
A 27ª edição do CONEST levou a Brasília o tema central de transformar a cultura de segurança no canteiro de obras. O painel “Canteiro do amanhã: Novas Soluções em SST para uma Construção Civil Mais Eficiente” reuniu especialistas para discutir práticas que tornem os ambientes de trabalho mais seguros, eficientes e alinhados aos desafios da atualidade.
O encontro ocorreu entre os dias 20 e 22 de novembro, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), e contou com a moderação de Jussara Almeida, presidente da APAREST, engenheira civil e professora. O objetivo foi apresentar caminhos práticos para consolidar a cultura de segurança dentro das empresas da construção.
Principais contribuições e perspectivas apresentadas
Larissa Barreto, consultora em SST, presidente da ABRAEST e diretora da ANEST, defendeu que segurança não é custo, é resultado. Ela enfatizou a necessidade de consolidar informações, estabelecer indicadores claros e adotar soluções digitais, como aplicativos de inspeção, fichas digitais de EPI e painéis de monitoramento. Segundo ela, a gestão digital aproxima risco e ação, e o segredo está em começar com passos pequenos, mantendo consistência.
Stefani Jardim, engenheira civil e especialista em proteção coletiva, destacou que a segurança deve começar já no projeto. “O planejamento da proteção coletiva precisa ser tão bem elaborado quanto o projeto arquitetônico”, ressaltou. Para Stefani, a transformação passa por explicar a necessidade da mudança e demonstrar o retorno sobre o investimento, já que a obra também funciona como cartão de visita da empresa. Um projeto bem feito, segundo ela, é aquele que funciona na prática.
Nestor W. Neto, especialista em cultura de segurança, argumentou que treinamentos tradicionais nem sempre resultam em aprendizado real. “É impossível lembrar de todos os slides de uma integração”, afirmou. Ele defendeu abordagens mais humanas, com linguagem clara e participação efetiva das equipes, sugerindo rodas de conversa, escuta ativa e brainstorm estruturado como alternativas.
A empresária Amanda Muniz, CEO da ERGOGROUP, abordou os desafios da ergonomia na construção civil. Ela apontou a diversidade de atividades no canteiro como dificultadora de mensurações precisas. Dados apresentados indicam que fraturas representaram 49,2% dos afastamentos, com 22% correspondendo a lesões osteomusculares. Em 2024, foram registradas 84 mil fraturas no setor, e 40% dos acidentes tiveram relação com falhas ergonômicas. Amanda destacou os cinco principais desafios: postura inadequada, movimentação de cargas, uso de ferramentas improvisadas, ambientes dinâmicos e baixa percepção de risco. “Não se trata de eliminar o esforço, mas de torná-lo possível e saudável”, concluiu.
Conexões estratégicas
O debate manteve interface com o Projeto Estratégico da CBIC, em parceria com o Senai Nacional, reforçando o alinhamento entre pesquisa, prática e formação de mão de obra para a construção.
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Fonte: CBIC