Regras da Caixa aceleram crédito imobiliário
By Iris Andrade
Caixa amplia teto do FGTS para imóveis e redefine prazos de crédito
A Caixa Econômica Federal atualizou as regras de uso do FGTS na compra da casa própria, elevando o valor máximo dos imóveis que podem receber recursos do fundo e ajustando prazos e condições de crédito para 2025. A mudança é vista como impulso para o setor imobiliário no próximo ano.
Aumento do teto de uso do FGTS
A principal novidade é o aumento do limite de valor dos imóveis que permitem o uso do FGTS. Antes restrito a patamares menores, agora é possível usar o saldo para adquirir unidades de até 2,25 milhões de reais. A mudança amplia o alcance para um público de renda mais alta que não se enquadrava nas regras anteriores.
Novo modelo de crédito e liberação de recursos
Outra alteração envolve a adoção de um modelo que destrava recursos do SBPE. A reestruturação amplia a capacidade dos bancos de oferecer financiamento habitacional e deve injetar 111 bilhões de reais no primeiro ano de vigência, com cerca de 36,9 bilhões já na fase inicial.
Desse montante, 80% ficará destinado ao SFH, que tem juros limitados a 12% ao ano, enquanto 20% seguirá para operações fora do SFH, com condições determinadas pelo mercado.
Prazos de financiamento
- Imóveis até 1 milhão (SFH): até 7 anos
- Imóveis entre 1 milhão e 2,25 milhões: até 6 anos
- Operações acima desse valor (fora do SFH): até 5 anos
A redução de prazo busca equilibrar a ampliação de crédito com a sustentabilidade financeira do sistema.
Quem pode usar o FGTS
As regras de acesso permanecem as mesmas: é necessário ter no mínimo três anos de trabalho com carteira assinada, não possuir outro financiamento ativo pelo SFH na mesma localidade e comprovar renda compatível com o valor contratado.
O FGTS pode ser utilizado de três formas: como entrada, para amortizar o saldo devedor ou para abatimento de parcelas ao longo do contrato.
Atenção à documentação e aos riscos
Especialista alerta que a ampliação do crédito pode exigir mais cuidado na etapa documental. A advogada Siglia Azevedo afirma que, com a entrada de mais compradores no mercado, cresce a necessidade de checagem rigorosa dos processos.
“Com o volume de novas operações, inconsistências cadastrais, sobreposição de garantias ou fraudes documentais podem ocorrer se o comprador não verificar todas as etapas do processo”, diz a advogada, destacando a importância de uma análise contratual minuciosa.
“Qualquer mudança na regra de utilização do FGTS, principalmente quando falamos de financiamento imobiliário, exige muita cautela. Em algumas situações, é necessário que o interessado busque orientação técnica com o profissional de sua confiança.”
Expectativas para o setor
A combinação de maior flexibilidade no uso do FGTS, maior disponibilidade de crédito e abertura para imóveis de maior valor pode dinamizar o mercado imobiliário, especialmente para a classe média e média-alta. Para os compradores, a recomendação é avaliar com calma os custos efetivos do financiamento, já que, mesmo dentro do SFH, os juros permanecem elevados. A simulação detalhada continua essencial antes da assinatura do contrato.
Fonte: Bem Paraná