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QAI na COP trinta: ar interno importa?

By Iris Andrade

COP26/ COP30: A Qualidade do Ar Interno ganha destaque em Belém

Durante a programação da COP30, especialistas reforçam a relevância da Qualidade do Ar Interno (QAI) ao lado das ações globais para reequilibrar o ambiente. O Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno (QAI) tem ampliado o alcance institucional do tema no Brasil, promovendo estudos e disseminação entre profissionais e a sociedade.

Expansão de contatos e acordos

Segundo a coordenadora de Comunicação do PNQAI, Inez Luz, a troca de experiências com educadores, médicos, ambientalistas e representantes da sociedade civil ajudou a ampliar as ações da iniciativa. Esse movimento institucional resultou na assinatura de um Termo de Adesão com o CREA do Amazonas (CREA-AM) e de um Termo de Compromisso com a ABNT, conectando o projeto “Elas por Elas” a iniciativas da qualidade do ar.

Entre os diversos contatos firmados, estiveram presentes o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB); CREA PA; Instituto Evandro Chagas (IEC); Médicos do Clima; Instituto Alana; Instituto do Ar; e os CAUs de São Paulo, Ceará, Alagoas e Rio de Janeiro.

Painel sobre QAI no estande do CAU

No dia 21/11, o auditório montado pelo CAU recebeu a palestra sobre QAI, ministrada por João Manuel Aureliano, dentro do painel “Cidades Resilientes e o Ar que Respiramos”. A apresentação buscou evidenciar como o Plano Nacional de Qualidade do Ar Interno contribui para a arquitetura e a agenda climática da COP 30.

Ao iniciar, o engenheiro ressaltou que o ar é invisível para muitos, o que dificulta a compreensão da QAI. Como membro da ASBRAV e da ASHRAE Chapter Brazil, destacou ainda que nos próximos 35 anos a população mundial deve crescer em torno de 2 bilhões de pessoas, gerando a construção de aproximadamente 230 bilhões de metros quadrados adicionais.

Projeções de expansão e impactos climáticos

A circulação urbana ampliada tende a aumentar a demanda por sistemas de climatização, que já respondem por grande parte do consumo de energia e da emissão de poluentes. O palestrante destacou que a expansão imobiliária pode ser entendida como uma cidade de Nova Iorque surgindo a cada mês no mundo.

Em relação ao aquecimento global, o painel mencionou o relatório IPCC de 2015, que fixou o teto de 1,5 °C para o aumento de temperatura. Com dados recentes, já se observa uma elevação prevista de até 2 °C até 2030, o que reduz a capacidade de captação de CO2 pela biosfera e aciona a necessidade de mitigar efeitos adversos ao clima.

O papel da Qualidade do Ar Interno

João Manuel percorreu a evolução da QAI desde a Antiguidade até os dias atuais, incluindo a relação entre ar externo e interno e as implicações para a saúde pública. Durante a fala, ele mostrou que, mesmo em dias de alta poluição externa, o ar interior pode apresentar riscos potencialmente maiores se não houver ventilação adequada e filtragem eficaz.

O engenheiro explicou que o sistema respiratório humano consegue filtrar parte das partículas do ar externo, porém partículas muito finas podem alcançar os pulmões. A melhoria da qualidade do ar interno depende de filtros adequados, manutenção de sistemas de climatização e ventilação eficiente, aliados à arquitetura que privilegia a circulação do ar.

Referências históricas e lições para construção civil

Como exemplo histórico, foi citado Padre Anchieta, que descreveu hospitais com grandes janelas que promoviam melhor ventilação. A mensagem central é clara: sem ventilação adequada, não é possível diluir contaminantes internos nem trazer ar externo para o interior de forma eficiente.

Fonte: Blog do Frio

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