MRV transforma canteiros em salas de aula
By Iris Andrade
Aposta da MRV para inovar: transformar canteiros de obra em salas de aula
Repórter de ESG Letícia Ozório apresenta um movimento que começou em 2011 e continua ganhando força: a MRV transforma espaços de obra em oportunidades de aprendizagem. O objetivo é enfrentar a desigualdade educacional entre trabalhadores da construção civil, oferecendo alfabetização e formação básica sem afastá-los do expediente.
Contexto e motivação
Dados da construção civil revelam que o perfil típico do trabalhador é de um homem em torno de 41 anos, com ensino fundamental incompleto. Em paralelo, a realidade do analfabetismo no Brasil é grave: a PNAD Contínua de 2024 aponta quase 9 milhões de brasileiros de 15 anos ou mais nessa condição. Em resposta, a MRV decidiu manter o Escola Nota 10 ativo, com a visão de reduzir essas barreiras durante o horário de trabalho.
Como funciona o programa
- Escola Nota 10, criado pela MRV, oferece aulas de português e matemática diretamente nos canteiros de obra.
- O método foi desenvolvido pela Alicerce Educação, com ciclos de aprendizagem de dois meses.
- Desde a implantação, mais de 5 mil pedreiros e ajudantes de obra já foram capacitados, abrangendo 20 estados e o Distrito Federal.
Atualmente, a MRV mantém 34 escolas ativas e planeja chegar a 47 até o fim de 2025. Ao todo, 155 alunos da Escola Nota 10 estão cadastrados para o Encceja, certificado que abrange o ensino fundamental e médio para estudantes adultos.
Impacto e inovação no dia a dia dos trabalhadores
Os executivos explicam que a alfabetização amplia o repertório dos profissionais, permitindo que eles compreendam melhor os bastidores da atividade cotidiana. Com esse conhecimento, eles passam a contribuir com novas ideias para a melhoria dos processos. Um exemplo citado é o caso de José Ivo, 49 anos, morador do Rio de Janeiro, que antes do programa só sabiam escrever o próprio nome; hoje ele está próximo de obter a carteira de motorista. O incentivo também chega aos filhos, como Marconi José da Silva, de 29 anos, que finalizou a oitava série em 2024.
ESG, visão de futuro e diversidade
Para a direção, a integração do Escola Nota 10 à estratégia de ESG não é apenas uma ação pontual, mas um elemento que precisa internalizar-se nos processos e no produto da empresa. A ideia é evitar que a sustentabilidade seja tratada como tarefa adicional, tornando-a parte do dia a dia do negócio.
Além da alfabetização, a MRV vem ampliando sua atuação com foco em diversidade. A liderança destaca que a riqueza das perspectivas pode impulsionar a inovação e o desempenho da empresa, ressaltando que a diversidade não é apenas discurso, mas a base para gerar conteúdo, ideias e ações inovadoras.
Compromisso social além da alfabetização
O programa também abrange iniciativas além da educação básica. A MRV criou a primeira turma de aprendizes prisional do Brasil, com 60 presos em regime fechado trabalhando com carteira assinada. O movimento ganhou continuidade com a expansão para o socioeducativo, resultando hoje em 80 jovens com carteira assinada, recebendo salário como identificação de seu novo caminho.
Perspectivas para o futuro
O objetivo de expansão é claro: aumentar o alcance do Escola Nota 10 e consolidar a relação entre educação, inovação e ESG na construção civil. Ao conectar alfabetização, gestão, finanças e até temas como inteligência artificial, a MRV busca incentivar trajetórias de carreira mais sólidas para seus trabalhadores, contribuindo para uma indústria mais inclusiva e competitiva.
Fonte de dados e depoimentos: MRV, com organização da área de ESG e declarações de liderança interna.
Fonte: Exame