Misci e Weinfeld transformam Cine Marabá
By Iris Andrade
Misci e Isay Weinfeld transformam Cine Marabá em passarela de moda
Um conceito que mistura cinema, arquitetura e identidade brasileira foi apresentado na noite desta semana em São Paulo. A marca Misci realizou um desfile-filme no Cine Marabá, no centro da cidade, em parceria com o arquiteto e cineasta Isay Weinfeld. O objetivo, segundo os criadores, foi levar a experiência fashion a um espaço que costuma abrigar longas e que hoje serve de palco para uma leitura contemporânea de moda.
O registro performático da coleção
Intitulada “A Dama do Interior”, a apresentação uniu moda e cinema, abrindo espaço para que a passarela se transforme em tela de narrativa. O diretor criativo da Misci, Airon Martin, descreveu o projeto como parte de um percurso pessoal que também aponta para um desejo de se aproximar do cinema no longo prazo. “Isso tudo faz parte de um processo, quase um plano de aposentadoria criativa. Quero encarar o cinema como futuros campos de atuação da minha marca”, afirmou. Ele ressaltou que a Misci se tornou rentável graças a trabalho contínuo e consistência.
Diálogo entre linguagem e linguagem
Weinfeld, conhecido por projetos como o Hotel Fasano e a Casa Cubo, transferiu para a passarela uma visão de elegância contida, valorizando a quietude em vez de opulência. “A elegância não está no excesso, mas na sutileza”, comentou o arquiteto-cinéaste, que assina a direção de arte das peças. A atuação conjunta entre moda e arquitetura foi vista como uma forma de cruzar fronteiras criativas, mantendo a identidade brasileira como fio condutor.
Do nordeste à paisagem urbana: referências que entram na mise en scène
Para o fio criativo da coleção, as referências nordestinas aparecem com força. Airon mencionou que a própria família e as raízes regionais influenciam as escolhas estéticas, em uma proposta que amadurece com o tempo. A linha de montagem de looks mescla alfaiataria com elementos manuais, como crochê, e técnicas culturais, como o bordado filé tradicional de Alagoas. As peças também recorrem a tecidos como algodão, couro, brim e jacquards, ampliando o repertório de texturas.
Paleta, estampas e referências cinematográficas
A paleta traz roxo como destaque, contrastando com tons de verde, laranja e amarelo que remetem aos cenários do sertão e do recôncavo baiano. As estampas, criadas por Isabel Moura, reforçam a ideia de miscigenação e memória, com uma estética que remete a filmes antigos. Em momentos do processo criativo, Airon citou inspirações do cinema e do teatro, afirmando que tais referências ajudam a evitar a armadilha de tendências passageiras.
Conexão entre estrutura e movimento
Os modelos apresentados combinam silhuetas estruturadas com toques de crochê artesanal, criando uma coreografia entre peso e fluidez. A geometria aparece em cortes, recortes e drapeados, mantendo um diálogo direto com a linguagem de Weinfeld. A coleção também valoriza materiais como algodão e couro, com incursões em brim e jacquards, além de técnicas manuais de bordado e crochê que ganham novas versões para o inverno.
O que ficou gravado
Desse encontro entre cinema e moda, emergiu uma leitura de moda que não teme experimentar o espaço urbano como palco e a narrativa visual como peça-chave. O desfile-filme sugere que a moda pode dialogar com outras artes sem perder a essência da marca, mantendo o foco na autenticidade e na qualidade das peças.
O evento aconteceu na noite de 26 de novembro de 2025, consolidando o Cine Marabá como um espaço de experimentação cultural que vai além do cinema tradicional, abrindo portas para novas formas de apresentação de moda no Brasil.
Fonte: Diário de Cuiabá