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Misci e Isay Weinfeld reimaginam Cine Marabá

By Iris Andrade

Desfile-filme leva cinema, arquitetura e moda a um único palco no Cine Marabá

Um evento inusitado transformou o Cine Marabá, no centro de São Paulo, na passarela de uma nova coleção. Misci apresentou sua linha em parceria com o arquiteto e cineasta Isay Weinfeld, em uma ação que uniu cinema, identidade brasileira e design. O desfile-filme, intitulado A Dama do Interior, aconteceu na noite desta quarta-feira e mostrou que diferentes linguagens podem dialogar de forma orgânica.

Visão criativa por trás da apresentação

Airon Martin, diretor criativo da Misci: “Isso tudo é parte de um processo, um projeto de aposentadoria mesmo. Eu quero aposentar no cinema.”

Segundo o criador, a parceria com Weinfeld nasce de um percurso criativo que transcende a moda, buscando sustentar a marca ao longo do tempo através de propostas que dialogam com outras artes. “Como eu não sou herdeiro, precisava ganhar dinheiro com a minha criação, e a Misci se tornou uma marca rentável graças a muito trabalho e consistência.”

Arquitetura e moda em diálogo

Weinfeld, reconhecido pela contribuição à arquitetura de ícones como Hotel Fasano e Casa Cubo, levou sua assinatura para a passarela, enfatizando uma elegância contida e uma leitura cinematográfica da coleção. A ideia foi estabelecer uma ponte entre linguagem arquitetônica e design de roupas, preservando a ideia de coerência criativa entre as referências.

Inspirações que moldam o Inverno 26

Airon: “Quero ser um criativo coerente com as referências e com o que acredito.”

O suíter nordestino descreveu uma continuidade de referências que incluem o nordeste brasileiro, teatro e cinema, indicando que essas influências estão naturalizadas em seu processo criativo. A coleção que sucede o verão 26 traz uma leitura do Inverno 26 marcada pela miscigenação e por referências cinematográficas da produção nacional.

Detalhes da coleção Inverno 26

Entre as inovações da linha, a paleta destaca o roxo como elemento central, aplicado tanto em peças de couro quanto em tecidos fluidos para criar silhuetas com leveza. Tons de verde, laranja e amarelo remetem aos cenários do sertão nordestino e do recôncavo baiano.

  • Materiais: algodão como matéria-prima principal; couro; brim; jacquards.
  • Técnicas artesanais: bordado filé, tradicional de Alagoas; crochê manual em novas versões para o inverno.
  • Estampas: assinadas por Isabel Moura, resgatando memória e estética de filmes antigos.
  • Conceito de textura e estrutura: peças de alfaiataria dialogam com recortes geométricos e drapeados, mantendo o equilíbrio entre rigidez e movimento.

Convergência entre alfaiataria e artes manuais

A estrutura dos looks mistura alfaiataria com crochê manual, criando uma dualidade entre o que é estático e o que se move na silhueta. A marca referencia Glauber Rocha ao mencionar uma cena icônica de O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, associando a estética roxa esvoaçante a momentos marcantes do cinema brasileiro.

Autenticidade e o que move o processo criativo

Airon: “Como alguém que não vem propriamente da moda, sou um outsider nesse meio. Entendo que, para criar moda com autenticidade, não posso me alimentar apenas de moda.”

Ele reforça a importância de buscar inspirações além do circuito fashion, mencionando teatro e cinema como fontes para evitar tendências passageiras e manter a identidade da marca. O evento, mais do que uma apresentação, consolidou uma visão de exclusividade que atravessa fronteiras entre cinema, arquitetura e moda.

Fonte: Diário de Cuiabá

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