Litoral Norte: temporada em baixa
By Iris Andrade
Veraneio no Litoral Norte: reajustes de até 30% e demanda em queda frente a 2024
27 de novembro de 2025 — O mercado de aluguéis de temporada no Litoral Norte gaúcho abriu a temporada de verão com diárias mais altas, mas com procura menor do que a registrada em 2024. Corretores e representantes do setor informam reajustes entre 10% e 30%, variando conforme o tipo de imóvel, a estrutura e a localização.
Cenário de preços e demanda
Segundo Marcelo Callegaro, delegado do Sindicato da Habitação do RS (Secovi/RS), a procura está aproximadamente 20% abaixo do registrado na temporada passada. Ele observa que o último verão teve um boom de reservas, em parte provocado pela enchente anterior.
Até o presente momento, não está tendo tanta procura como nos anos anteriores. Ano passado foi um boom muito grande, inclusive em razão da enchente.
A expectativa é de recuperação a partir de dezembro, conforme proprietários reajustam preços que ficaram represados na temporada anterior. Alguns preços aumentam lentamente, com cerca de 10% sendo considerado razoável; quando chegam a 20% ou 30%, a locação fica mais difícil.
Valores por perfil de imóvel
As diárias variam de acordo com o tipo de moradia. Exemplos informados:
- Apartamentos de 1 dormitório: a partir de 300 reais
- 2 dormitórios: a partir de 350 reais
- 3 dormitórios: a partir de 450 reais
- Casas simples: a partir de 400 reais
Na avaliação das imobiliárias, os reajustes acompanham a tendência regional, situando-se entre 10% e 30%.
Nova Tramandaí e áreas mais procuradas
Nova Tramandaí permanece entre as regiões mais buscadas para locações familiares. Reginaldo Medeiros, corretor, explica que, na alta temporada — entre 15 de dezembro e 10 de janeiro, além da semana de Carnaval — casas com três dormitórios ou mais variam entre 800 e 1.000 reais por diária. Nos períodos restantes do verão, os valores ficam entre 500 e 700 reais.
Condições de contrato e descontos
Locações com contrato acima de 30 dias costumam permitir descontos negociados diretamente com os proprietários. A ocupação máxima também costuma constar em contrato; casas de três dormitórios costumam comportar entre seis e oito pessoas.
Segundo Medeiros, houve aumento nos ganhos gerais, e o reajuste é visto como uma tendência ampla, sem impedir a busca pelo refúgio para a família.
Fatores econômicos e sazonalidade
Marcelo Callegaro destaca que a situação econômica influencia as reservas: a inadimplência das famílias no Rio Grande do Sul gira em torno de 40%, com dívida média próxima de 7 mil reais, o que impacta a decisão de viajar. Ainda assim, há expectativa de melhora no início de janeiro, período historicamente mais aquecido.
Otimismo na hotelaria e perspectivas de ocupação
A rede hoteleira do Litoral Norte projeta uma temporada bastante movimentada. O Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares estima que 80% dos 22 mil leitos já estejam reservados para janeiro e fevereiro, enquanto o Réveillon já supera 90% de ocupação antecipada.
“Nós já estamos tanto com janeiro quanto fevereiro praticamente lotados, e o Réveillon chegou a 90% desde agosto”, diz Ivone Ferraz, presidente da entidade.
O retorno de turistas argentinos tem levado muitos brasileiros a antecipar as reservas. Além disso, os custos de energia, combustível, mão de obra e alimentação contribuíram para reajustes médios de 10% a 15% nas diárias. O setor continua enfrentando dificuldade para preencher aproximadamente 7 mil vagas temporárias para a temporada.
Este cenário sugere que, mesmo com a procura menor que a observada no ano anterior, o litoral gaúcho encara uma temporada de veraneio robusta quando somados aluguel de temporada e hotelaria.
GZH