Horizonte frágil do real segundo Wells Fargo
By Iris Andrade
Wells Fargo projeta real frágil em 2026, com dólar próximo a R$6,00
Em um relatório divulgado recentemente, o estrategista macro global do Wells Fargo, Aroop Chatterjee, aponta que o real brasileiro pode perder força em 2026 após um ciclo de valorização recente frente ao dólar. Segundo o estudo, mesmo com sinais de melhora no sentimento dos investidores, o país enfrenta uma combinação de desaceleração econômica, inflação persistente, pressão fiscal e riscos políticos agravados pela proximidade das eleições de 2026.
O analista ressalta que tais fatores reduzem o espaço para cortes agressivos de juros, o que, por sua vez, aumenta a vulnerabilidade da moeda diante de desequilíbrios externos e de tensões entre os Estados Unidos e o Brasil. O cenário é complexo, pois a valorização recente do real não é suficiente para compensar as incertezas políticas e econômicas de curto prazo.
De acordo com a projeção, a avaliação para o câmbio no final deste ano fica em torno de 5,50 reais por dólar. No entanto, para 2026, o banco estima que o dólar possa chegar a atingir a casa de 6,00 reais, sinalizando um movimento de enfraquecimento do real ao longo do próximo ano.
Essa leitura reforça a percepção de que muitos agentes do mercado considerarão o real mais sensível a choques externos e a tensões geopolíticas, especialmente aquelas relacionadas ao desempenho da economia norte-americana e a eventuais impactos de políticas monetárias internacionais sobre fluxos de capitais emergentes.
Implicações para investidores
Para investidores e empresas expostas ao câmbio, o relatório sugere cautela diante de um cenário de maior volatilidade e de alcance reduzido para políticas monetárias mais acomodatícias no Brasil. A preservação de margens, a gestão de exposição cambial e a diversificação de hedges podem ganhar relevância em preparação para o próximo ciclo econômico.
Resumo das projeções
- Fim de 2025: aproximadamente R$ 5,50 por dólar
- 2026: projeção de cerca de R$ 6,00 por dólar
Observação: as informações refletem a visão de um único banco e devem ser consideradas no contexto de múltiplas análises de mercado e cenários macroeconômicos diversos.
Fonte: Valor Econômico