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Gehry, criador do Efeito Bilbao, morre

By Iris Andrade

Morre Frank Gehry aos 96 anos; legado transforma Bilbao e molda a arquitetura contemporânea

Frank Gehry, o arquiteto cuja obra emblemática projetou Bilbao, na Espanha, como destino turístico global e impulsionou uma nova era de formas ousadas, faleceu aos 96 anos. A morte ocorreu na sexta-feira, na casa dele em Santa Monica, Califórnia, conforme informou o New York Times, citando Meaghan Lloyd, chefe de gabinete da equipe de Gehry. Ele vivia em Santa Monica com a esposa, Berta, em uma residência considerada um de seus grandes experimentos de design.

Impacto internacional: Bilbao e o “efeito Bilbao”

As estruturas curvas, cintilantes e escultóricas de Gehry, especialmente o Museu Guggenheim Bilbao, encantaram o público e mostraram o potencial da arquitetura contemporânea de transformar cidades. O museu, inaugurado em 1997, consolidou a ideia de que edifícios públicos de alto impacto podem impulsionar turismo e desenvolvimento econômico ao redor do mundo, gerando o que ficou conhecido como “efeito Bilbao”.

Conquistas nos Estados Unidos

Nos Estados Unidos, Gehry liderou projetos que ganharam destaque pela escala e pela engenharia. A Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, levou 15 anos para ficar pronta e foi inaugurada em 2003. Com 2.265 lugares, o espaço abriu portas para uma nova ideia de sala de concerto integrada à paisagem urbana, com um exterior ousado em aço inoxidável que remete a um navio ao vento. Outro empreendimento de longa gestação em seu portfólio é o Grand LA, um edifício de 45 andares no centro de Los Angeles, concluído em 2022 como complemento ao entorno da sala de concertos.

Reconhecimento e visão de mundo

Em 1989, Gehry tornou-se o sexto americano a receber o Prêmio Pritzker de Arquitetura, a mais alta honraria da área. O júri comparou seus projetos a uma forma de jazz — improvisação, ritmo e uma energia imprevisível que redefiniram a prática da arquitetura.

Estilo único e contribuições

Influenciado por artistas como Frank Stella, Jasper Johns e Richard Serra, Gehry não aceitava rótulos para seus edifícios distorcidos e escultóricos. Críticos e acadêmicos destacaram que suas obras parecem tanto estranhas invasões quanto expressões enraizadas na cultura local, transformando o que é comum em algo extraordinário.

Trajetória, formação e marcos da vida

Nascido Ephraim Owen Goldberg em 28 de fevereiro de 1929, em Toronto, Gehry mudou-se com a família para Los Angeles em 1947 e tornou-se cidadão americano em 1950. Formou-se em arquitetura pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, em 1954, e, após breve passagem pelo exército, iniciou sua carreira profissional em 1967 com o escritório Frank O. Gehry and Associates. Antes de alcançar o estrelato, ganhou notoriedade na década de 1960 com projetos de menor escala, como o Merriweather Post Pavilion em Maryland (premiado em 1967) e, em 1972, com a linha de móveis Easy Edges em papelão ondulado. A partir de 1977, Gehry ampliou e reformou sua casa em Santa Monica, um projeto que exemplifica seu talento para integrar o antigo e o novo.

Projetos icônicos ao redor do mundo

  • Guggenheim Bilbao, Espanha (1997) — transformação da paisagem urbana ao redor do museu, com titanium ondulado.
  • Vitra Design Museum, Weil am Rhein, Alemanha (1990) — escada em espiral que envolve os blocos estruturais.
  • Casa Dançante (Fred and Ginger), Nationale-Nederlanden, Praga (1996) — edifício que parece abraçar outro em movimento.
  • Fish Dance, Kobe, Japão (1986) — restaurante com escultura de peixe em cobre.
  • Merriweather Post Pavilion, Columbia, Maryland (1967) — teatro ao ar livre premiado.
  • Walt Disney Concert Hall, Los Angeles (2003) — sala de concertos com interior elegante e exterior curvilíneo.
  • Stata Center, MIT, Cambridge (finalizado na década de 2000) — projeto que gerou controvérsias e resolução de disputas em 2010.
  • IAC Building, Chelsea, Nova York (2007) — primeira construção de Gehry em Manhattan.
  • 8 Spruce Street, Lower Manhattan (2011) — arranha-céu residencial de 76 andares.

Gehry também foi reconhecido por adotar o uso de projetos assistidos por computador para viabilizar empreendimentos complexos, defendendo parcerias com a indústria da construção para cumprir prazos e orçamentos. Questionamentos sobre reflexos excessivos levaram a ajustes, como no caso da Walt Disney Concert Hall. Em 2008, enfrentou um processo envolvendo o Stata Center do MIT, considerado resolvido amigavelmente em 2010.

Na vida pessoal

Gehry foi casado duas vezes; teve dois filhos com Berta Aguilera e manteve um casamento anterior com Anita Snyder. Sua irmã, Doreen Gehry Nelson, fundou o Center for City Building Education, que busca formar professores em design urbano.

Fonte: The New York Times

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