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Desemprego cai, informalidade freia ganhos

By Iris Andrade

Desemprego cai, mas informalidade impede ganho de produtividade

Mesmo com a taxa de desemprego no menor patamar histórico — 5,6% no trimestre encerrado em setembro — o mercado de trabalho brasileiro não mostra avanços significativos na formalização. A informalidade segue estável, representando cerca de 40% da força de trabalho ocupada, o que corresponde a mais de 40 milhões de pessoas, segundo a PNAD Contínua do IBGE. Essa participação mantém a média de produtividade do país estagnada.

Produtividade estagnada e custos para empresas

Em uma economia aquecida, muitos setores relatam uma espécie de “apagão de mão de obra”, mas isso não se traduz em mais produção por hora trabalhada. Sem aumentos de eficiência, as empresas elevam salários para atrair trabalhadores e, em seguida, repassam os custos aos preços, contribuindo para a inflação. Dados do FGV/Ibre indicam que empregados formais podem chegar a ser até quatro vezes mais produtivos do que os informais.

Avaliação sobre vagas formais e impacto da informalidade

Apesar da criação de cerca de 4,6 milhões de vagas com carteira assinada desde 2023 para enfrentar o desemprego, o peso da informalidade reduz o efeito dessas conquistas. A disseminação de MEIs e “PJs” — que já representam quase 7% da força de trabalho — ajudou a impedir que a informalidade fosse ainda maior, mas também consolidou uma espécie de semi-informalidade.

Migração da CLT para o CNPJ

O crescimento de trabalhadores que optam por regimes de conta própria com CNPJ evidencia motivações como autonomia, flexibilidade e, em alguns casos, pressão para reduzir encargos trabalhistas. Entre 2022 e julho de 2025, o Ministério do Trabalho identificou cerca de 5,5 milhões de trabalhadores que migraram da CLT para MEI ou PJ. Pesquisas apontam que 59% dos brasileiros preferem trabalhar por conta própria, e quem atua com CNPJ tende a ter rendimento médio superior (cerca de R$ 4.947) em comparação aos empregados formais do setor privado (aproximadamente R$ 3.200).

Setores enfrentam falta de trabalhadores e novas estratégias

Construção civil, agronegócio e varejo são áreas que enfrentam dificuldades para preencher vagas. Fatores como a migração interna mais restrita entre estados e a relutância de jovens em adotar a CLT intensificam a escassez de mão de obra. Em resposta, empresas ampliam contratações de imigrantes, incluem mais mulheres em funções menos pesadas e promovem reajustes acima da inflação.

Entretanto, estudos da FGV indicam que algumas profissões que mais cresceram em vagas nos últimos anos já mostram queda relativa de remuneração entre 2012 e 2024, sugerindo aumento da precarização mesmo com desemprego mais baixo e produtividade menor.

Crescimento depende de ganhos estruturais de produtividade

Especialistas destacam que o avanço da renda per capita e a queda do desemprego recentes se devem mais à alta taxa de ocupação do que a ganhos de eficiência. A produtividade—medida pelo ganho de produção por hora—cresceu, em média, apenas 0,3% ao ano nos últimos cinco anos, enquanto a renda subiu 1,7% impulsionada pelo emprego.

Analistas alertam que esse movimento pode ser cíclico e não garantirá sustentabilidade econômica no médio prazo. A baixa participação externa do Brasil no comércio mundial, que representa aproximadamente 1% do total, reduz a pressão competitiva e limita o impulso na produtividade. Economistas também apontam que o dinamismo atual do mercado de trabalho está lastreado por gastos públicos elevados, cenário visto como insustentável com riscos de reversão após 2026.

Fonte interna de dados para o conteúdo acima indica que a combinação de desemprego em baixa e manter a informalidade pode limitar impactos de políticas públicas voltadas à produtividade.

Fonte: FolhaPress

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