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Crise imobiliária eleva dívidas locais

By Iris Andrade

Persistência da crise imobiliária eleva dívida de governos locais da China a US$ 18,9 trilhões

A dívida total dos governos locais chineses, incluindo as entidades de financiamento de governos locais (LGFV), atingiu 134 trilhões de yuans, equivalente a cerca de US$ 18,9 trilhões. O registro ocorre em meio a uma crise imobiliária que reduziu a arrecadação com a venda de imóveis e elevou a emissão de títulos locais para financiar projetos públicos.

Dados indicam que o saldo total de dívida de governos locais e LGFVs chegou a 134 trilhões de yuans. O governo chinês informou ter reservado 500 bilhões de yuans para ampliar a capacidade de endividamento local, com o objetivo de reduzir dívidas em atraso e devolver fôlego para novos investimentos.

Li Dawei, chefe do novo departamento de gestão da dívida do Ministério das Finanças, afirmou que, neste momento, governos locais estão priorizando a emissão rápida de títulos para obter liquidez, o que pode adiar problemas de refinanciamento, porém pode aprofundar a deflação no curto prazo.

Até o fim do mês passado, a emissão total de títulos de governos locais neste ano somou mais de 10 trilhões de yuans, ultrapassando o total de todo o ano anterior (9,7 trilhões) e marcando recorde histórico. O saldo de títulos locais, por sua vez, atingiu 54 trilhões de yuans.

Entre as causas desse cenário estão a menor arrecadação de receitas locais decorrente da crise do mercado imobiliário. O valor dos imóveis vendidos por governos locais de janeiro a outubro ficou pouco abaixo de 2,5 trilhões de yuans; em 2021, o faturamento anual com venda de imóveis alcançou mais de 8,7 trilhões.

Especialistas apontam ainda o papel da chamada “dívida oculta”: instrumentos emitidos por LGFVs e por empresas de investimento pertencentes a governos locais, que elevam o endividamento fora do balanço. Estima-se que a soma das dívidas com juros destas entidades chegue a valores entre 60 e 80 trilhões de yuans, com o FMI estimando 65 trilhões de yuans para 2024 nessa categoria.

Apesar do tamanho da dívida, as LGFVs apresentam baixa rentabilidade: quase 10% registram prejuízos, e apenas cerca de 3% possuem retorno sobre o patrimônio líquido superior a 4%. O lucro líquido agregado no ano que terminou em dezembro de 2024 foi de aproximadamente 550 bilhões de yuans, mas as LGFVs receberam mais de 1 trilhão de yuans em subsídios. Se esses subsídios forem excluídos, quase metade das LGFVs estaria no vermelho. Têm-se, contudo, garantias implícitas do governo e juros baixos decorrentes da política monetária frouxa, fatores que ajudam a manter operações em andamento.

O governo central já havia autorizado, no outono passado, a emissão adicional de 10 trilhões de yuans em títulos para transferir parte da dívida das LGFVs para os governos locais, com o objetivo de evitar uma crise mais ampla. O rendimento médio dos títulos corporativos emitidos por LGFVs sob a jurisdição de Pequim neste ano é de cerca de 2,1%, queda de 1,4 ponto percentual em relação a 2021, em linha com o movimento observado nos títulos do governo nacional. A defesa dessas dívidas vem também da flexibilização monetária do Banco do Povo da China, que sustenta a economia estagnada.

Especialistas destacam que, embora a deflação possa postergar problemas de endividamento, ela tende a dificultar uma solução de longo prazo. A variação nominal do crescimento econômico da China projetada fica próxima de 3%, enquanto as taxas nominais de juros situam-se pouco abaixo de 2%, o que reduz a margem para reorganizações fiscais sem impactos adversos. Analistas ressaltam que a situação fiscal local permanece sob vigilância, com o governo reconhecendo riscos, ainda que busque evitar choques financeiros sistêmicos.

Resumo dos principais números em 2025:

  1. Dívida total de governos locais e LGFVs: 134 trilhões de yuans (≈ US$ 18,9 trilhões).
  2. Emissão de títulos de governos locais em 2025: mais de 10 trilhões de yuans (recorde).
  3. Saldo de títulos de governos locais: 54 trilhões de yuans.
  4. Receita de imóveis vendidos por governos locais, jan-out 2025: ~2,5 trilhões de yuans; em 2021, o total anual foi de ~8,7 trilhões.

O panorama reforça a relação entre a crise imobiliária, a estrutura de endividamento fora do balanço (dívida oculta) e as escolhas de política monetária e fiscal adotadas pelo governo central para manter a atividade, ainda que com o custo de enfrentar um processo de ajuste gradual no equilíbrio entre dívida e receita.

Fonte: Nikkei Asia

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