CPF dos imóveis pode mudar tributos: entenda
By Iris Andrade
Brasil avança para a fase de testes do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB) em 2026
O Brasil se prepara para iniciar, em 2026, a fase de testes do Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), um banco de dados nacional que reunirá, em uma única base, informações sobre imóveis urbanos e rurais. Criado pela Receita Federal e conhecido como o “CPF dos imóveis”, o sistema visa aumentar a transparência do mercado e a segurança jurídica das transações. Especialistas alertam, porém, para a possibilidade de elevação da carga tributária com a atualização dos valores venais, hoje defasados em muitos municípios.
Como o CIB funciona
O CIB será um identificador único georreferenciado, integrado ao Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais (Sinter). Na prática, ele conectará dados de cartórios, prefeituras, órgãos federais e ambientais, acompanhando o ciclo de vida de cada imóvel, desde a incorporação até a transmissão de propriedade. A regulamentação fica por conta da Instrução Normativa nº 2.275/2025 e da Lei Complementar nº 214/2025, com o cadastro sendo visto como peça-chave para a Reforma Tributária. Ele servirá de base para a futura cobrança do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), previstas para vigorar a partir de 2027.
Impactos nos impostos municipais
A consequência mais perceptível para os contribuintes estará nos tributos municipais, como o IPTU e o ITBI. Hoje, muitas prefeituras trabalham com plantas genéricas desatualizadas que não refletem o valor de mercado. Com o CIB, o cruzamento de informações georreferenciadas, inspeções digitais e imagens de satélite permitirá revisar valores subavaliados, aproximando a base de cálculo da realidade. A expectativa é de aumento da arrecadação, especialmente em áreas valorizadas, mesmo sem mudar as alíquotas formais, ao reduzir a margem para subdeclaração e para imóveis “invisíveis” ao fisco.
Desafios para implementação e proteção de dados
O novo cadastro traz desafios relevantes. Municípios de pequeno porte podem não ter estrutura tecnológica nem equipes capacitadas para digitalizar cadastros antigos, atualizar plantas e operar sistemas complexos, o que exigirá investimentos em infraestrutura e treinamento. Além disso, por concentrar um dos maiores bancos de dados patrimoniais do país, o CIB precisará cumprir rigorosamente a LGPD, com regras claras de segurança cibernética, rastreabilidade de acessos e limites de uso das informações para fiscalização tributária, planejamento urbano e estudos ambientais.
Conexões com a Reforma Tributária e o IVA Dual
O CIB está alinhado ao modelo do IVA Dual e dialoga com as regras de transição da Reforma Tributária, que preveem redutores de alíquota para locações e operações imobiliárias, além de isenções para pequenos locadores e aluguéis residenciais de menor valor. Tributaristas avaliam que o sistema tem potencial para combater a sonegação e corrigir distorções históricas na tributação da propriedade, mas a justiça fiscal dependerá se o aumento de arrecadação for efetivamente revertido em serviços públicos, como saúde, educação, mobilidade e infraestrutura urbana.
O conteúdo está sujeito às variações de implementação e às decisões políticas que cercam a Reforma Tributária e o uso de recursos públicos.
Fonte: Notícia referência