Correspondentes elevam crédito imobiliário
By Iris Andrade
Correspondentes bancários fortalecem o crédito imobiliário com enfoque técnico e operação descentralizada
A expansão do crédito para imóveis tem ganhado fôlego com a consolidação dos correspondentes bancários no ecossistema financeiro. O modelo, criado pela Caixa entre 2008 e 2009 junto com o programa Minha Casa, Minha Vida, foi desenhado para descentralizar atividades operacionais e atender à demanda crescente por financiamentos.
A origem do modelo e a transformação operacional
Para responder ao aumento previsto no volume de financiamentos, a instituição decidiu transferir para parceiros externos atividades que antes ficavam sob a alçada das agências. A ideia era tirar da agência o peso operacional de prospecção, coleta de documentação e etapas administrativas do financiamento, mantendo o foco no atendimento ao cliente.
Segundo Murilo Arjona, correspondente bancário e consultor com atuação no Sul e Sudeste, o canal foi crucial para ampliar o alcance do crédito habitacional e, ao longo dos anos, passou por atualizações em sistemas, rotinas e diretrizes.
Efeitos no mercado e na formação do corretor
A adoção dos correspondentes alterou a rotina de corretores e imobiliárias, tornando a atualização sobre regras de crédito uma prática constante. Estima-se que grande parte das operações de imóveis novos envolva financiamento, o que reforça a importância do conhecimento técnico no atendimento.
Arjona destaca que, mesmo para profissionais que não atuem estritamente como correspondentes, o acesso às informações de crédito continua fundamental. A cadência de ajustes em faixas de renda, limites financiáveis, uso de FGTS e regras institucionais exige uma formação contínua.
Educação como estratégia de operação e relacionamento
O movimento de compartilhar conhecimento nasceu da interlocução com parceiros que buscavam soluções para dúvidas recorrentes sobre aprovação de crédito, documentação e enquadramento de clientes. A prática de produzir conteúdos educativos, treinamentos e materiais explicativos para corretores e imobiliárias aumentou a produtividade e gerou mais oportunidades de negócio.
Para Arjona, ensinar o parceiro a resolver problemas de forma independente reduz a perda de oportunidades e corrige lacunas formativas, especialmente em aspectos como comprovação de renda, análise de risco e enquadramento em programas habitacionais. “A melhor forma de destravar negócios é entender quando dá e por quê, e isso muda o resultado do atendimento,” afirma.
Considerações finais
Especialistas destacam que a educação técnica contínua é essencial para manter a qualidade do atendimento e a confiança no crédito imobiliário, especialmente diante de mudanças frequentes nas regras e nos mecanismos de financiamento.
Durante o CUPOLA Summit 2025, Murilo Arjona destacou que a disseminação de conhecimento por meio de canais de correspondentes contribui para ampliar a compreensão técnica entre as partes envolvidas, fortalecendo o ecossistema de crédito para imóveis no país.