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China muda o mercado de casas: por quê?

By Iris Andrade

China remodela o mercado de habitação com construção modular ultrarrápida

A transformação do mercado imobiliário chinês vem ocorrendo por meio de construção modular acelerada, uso intensivo de tecnologia e integração de planejamento urbano. O movimento, que alia inovação, sustentabilidade e inteligência artificial, aponta para cidades mais rápidas, conectadas e resilientes, com possíveis lições para o Brasil.

Velocidade e escala

Casos emblemáticos ilustram a capacidade de montagem: prédios de até dez andares surgem em cerca de 30 horas, e projetos que erguem milhares de casas em poucos dias demonstram a escala dessa abordagem. Dados oficiais indicam que, em 2020, a área construída com métodos modulares atingiu 630 milhões de m², correspondendo a cerca de 20% dos novos empreendimentos na época, com previsão de ultrapassar 30% até 2025.

Vantagens além da rapidez

Além da velocidade, a construção modular reduz desperdícios, diminui custos e permite o uso de materiais mais sustentáveis, como painéis de isolamento térmico de baixo carbono e telhados verdes. Tais soluções vêm ganhando espaço e contribuindo para obras com menor impacto ambiental.

Planejamento urbano e investimentos

No cerne do movimento está o redesenho urbano até 2035, com foco em aglomerados urbanos interconectados por ferrovias de alta velocidade e em transformar centros urbanos em ambientes habitáveis, estéticos, resilientes e inteligentes. O programa de modernização envolve investimentos expressivos: a modernização de infraestrutura básica, por exemplo, deve alcançar cerca de 4 trilhões de yuans nos próximos cinco anos (aproximadamente US$ 560 bilhões).

IA+ e construção

Paralelamente, o plano IA+ busca incorporar inteligência artificial em todas as etapas da produção industrial, incluindo a construção civil. A aplicação varia desde algoritmos para otimizar a logística de materiais até sensores que monitoram a segurança estrutural em tempo real.

Brasil x China: oportunidades e aprendizados

No Brasil, o déficit habitacional supera 5,8 milhões de moradias, conforme a Fundação João Pinheiro, e o setor enfrenta custos de construção elevados. A adoção de pré-fabricação pode reduzir custos e trazer maior previsibilidade aos projetos, além de ampliar o uso de materiais sustentáveis. Um planejamento urbano de escala metropolitana poderia também ajudar o Brasil a sair de um modelo fragmentado de moradias, promovendo cidades mais coesas.

Adaptar, não copiar

O objetivo não é replicar exatamente o modelo chinês, mas extrair lições aplicáveis ao nosso clima, geografia e estrutura institucional. O desafio é manter ambição para entregar moradias de qualidade com um entorno que ofereça boa qualidade de vida, acompanhando as demandas do século 21. A aceleração da construção pode, portanto, incentivar debates sobre governança urbana, financiamento e capacitação profissional, contribuindo para cidades mais integradas e eficientes.

Fonte: Imobi Report

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