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Bioconstrução USP: solução para o clima

By Iris Andrade

USP divulga projeto de bioconstrução para enfrentar mudanças climáticas

Uma videorreportagem criada por estudantes da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo apresenta um projeto de bioconstrução que utiliza materiais de baixo impacto ambiental para moradias na capital. A produção destaca a experiência prática desenvolvida pela comunidade Terra Irmã Aberta, localizada em Perus, com participação de docentes da Poli-USP e da FAU/Design da USP.

Areia Viva: Bioconstruindo o Futuro

O documentário, intitulado Areia Viva: Bioconstruindo o Futuro, foi desenvolvido no âmbito do programa Repórter do Futuro, uma parceria entre a Oboré Projetos Especiais e a Câmara Municipal de São Paulo. O vídeo mostra o uso de um modelo construtivo baseado em materiais agroecológicos, incluindo terra crua, bambu, palha e madeira de reflorestamento, com foco na promoção de eficiência energética, redução de resíduos e melhoria da qualidade do ambiente interno.

Casa-modelo e a visão de terreno regularizado

No eixo prático, professores da Poli e da FAU coordenam a construção de uma casa-modelo de adobe com 25 m², erguida na comuna Terra Irmã Aberta, no bairro de Perus. O objetivo é que esse modelo sirva de base para futuras moradias, especialmente após a regularização do terreno. A iniciativa enfatiza o retorno a saberes tradicionais e a valorização de técnicas construtivas que dialogam com as necessidades atuais de sustentabilidade.

Materiais locais e aprendizado artesanal

Segundo os participantes, o diferencial da casa-modelo está no aproveitamento de insumos agroecológicos retirados do próprio local, incluindo a terra para os tijolos de adobe. A ideia é unir conhecimento antigo a práticas contemporâneas de ensino, promovendo uma construção mais saudável, com menor impacto ambiental e maior resiliência a mudanças climáticas. A proposta também destaca o resgate da confecção do tijolo de adobe como prática tradicional integrada ao ensino superior.

“O que mais impressionou é o resgate de uma coisa que é tradicional, a gente pensa num tipo de adobe na bioconstrução, mas é uma prática que os seres humanos vêm fazendo há muito tempo. Foi muito legal ver os alunos produzindo os tijolos; o pessoal da comuna fica feliz com a presença dos estudantes e também houve pesquisadores da França no dia de construir a casa modelo. Essa união de saber antigo com quem está aprendendo agora na faculdade é o aspecto mais marcante.”

Essa leitura é reiterada por Henrique Giacomin, pesquisador envolvido no projeto, que também aponta a importância de unir tradição e inovação no processo de construção.

“O que mais impressionou é a união de um saber mais antigo e gente que está aprendendo isso agora na faculdade.”

Repórter do Futuro e participação institucional

O projeto de bioconstrução é apresentado no âmbito do Repórter do Futuro, uma iniciativa da Oboré, cooperativa que atua há décadas para apoiar movimentos sociais por meio de comunicação. O programa oferece formação em jornalismo para estudantes universitários e mantém parcerias com instituições como a ECA-USP e a Rede Câmara. Além de destacar a relação entre universidade, movimentos sociais e comunicação, o material também envolve pesquisadores estrangeiros em momentos de construção.

Implicações para a construção sustentável

A reportagem evidencia uma abordagem integrada entre ensino superior, prática comunitária e uso de materiais de baixo impacto ambiental para ampliar o acesso a habitações mais sustentáveis. Ao contestar paradigmas de consumo e priorizar técnicas tradicionais aliadas a inovações acadêmicas, o projeto sugere caminhos possíveis para morar com menor pegada de carbono em áreas urbanas.

Fonte: Jornal da USP

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